sábado, 30 de novembro de 2013

Meios de comunicação escritos


            Relativamente aos meios de comunicação escritos, recorremos ao contributo de Gondrand (1983), Ferreira (2001), Cunha (2003) e Peretti (1998), e estabelecemos doze grupos possíveis: as actas de reunião, os comunicados, os flashs informativos, as brochuras, as cartas pessoais, o jornal da organização, os boletins especializados, os inquéritos, as questões à direcção, as caixas de sugestões, a recolha de artigos de imprensa, os faxes e mails.
            Tal como na comunicação oral, estes meios devem ser usados de acordo com as necessidades, já que nem todos têm as mesmas potencialidades, se destinam ao mesmo público e visam os mesmos objectivos.
            Os resumos de reuniões têm como finalidade fazer chegar a informação do que se tratou na reunião a pessoas que não estiveram presentes, sendo um documento necessário e que tem que ser autorizado pela autoridade competente. Apesar da sua fiabilidade apresenta problemas relacionados com a lentidão de transmissão e, sobretudo, não pode apresentar todos os aspectos debatidos de forma pormenorizada.
            Os comunicados são publicados pela hierarquia, permitindo divulgar informações pontuais dirigidas a toda a comunidade ou a grupos restritos. Apesar do seu baixo custo e de poderem ser adaptados aos destinatários, poderão colocar dificuldade devido à sua impessoalidade e, se forem usados demasiadas vezes, poderão banalizar-se deixando de ser considerados como importantes, pelos receptores.
            Sempre que é necessário divulgar uma informação importante, e que para tal não seja necessário apresentar detalhes da mesma, os directores poderão usar os flashes informativos que têm um baixo custo e são mais rápidos.
            As brochuras dirigem-se a todo o público, sendo fáceis de produzir e distribuir, para além de atingirem rapidamente o receptor. Há, no entanto, que ter em atenção que devem ser elaboradas de molde a evitar uma deficiente compreensão.
            O director pode ainda dirigir uma carta a toda a comunidade ou a grupos específicos, para os informar ou explicar alguma situação. É um meio com grande impacto no destinatário e que deverá ser elaborado com muito cuidado para evitar imprecisões ou possíveis mal entendidos derivados da descodificação feita pelos receptores. Quando este método não é normalmente usado pode ter um efeito desmesurado, muito superior ao que seria pretendido e sobretudo é necessário ter muito cuidado no seu uso em caso de conflito.
            O jornal da organização é um meio que pode alcançar toda a comunidade, podendo também ser um veículo de divulgação da organização fora das suas fronteiras. Devido ao possível impacto deverá ser elaborado com cuidados redobrados e veicular informações fiáveis. A importância do jornal é evidente, mas há vários problemas a ele ligados, sendo a necessidade de recrutar correspondentes, uma das suas maiores limitações. Para ter um verdadeiro impacto, o jornal deve ser publicado regularmente, daí ser necessário a existência de um elemento que se dedique ao mesmo, quase a tempo inteiro. Por outro lado, se a sua distribuição for gratuita teremos que ter em conta os custos. Para que exista eficácia como meio de comunicação, a sua redacção deve ser feita de forma clara e atraente, o que implica o envolvimento de um especialista, e para além do mais, não há certeza de que os receptores o leiam e dificilmente haverá feedback da sua leitura.
            Para Peretti (1998: 485) "propondo-se cobrir toda a vida da empresa e das pessoas que nela trabalham, o jornal divulga uma quantidade importante de informações gerais sobre o que a empresa faz e sobre aquilo que quer fazer". Apesar de o jornal ser um meio óptimo para fazer circular a informação, ele não poderá ser usado para fazer chegar a público muito específico informações especializadas, uma vez que normalmente só algumas pessoas estarão no poder de códigos para as descodificar. Nestes casos a organização poderá usar boletins especializados, tendo o cuidado de que o restante público não veja este meio de comunicação como uma forma de segregação. O jornal pode também cair no erro de servir apenas como forma de propaganda da organização, evitando tratar dos assuntos mais polémicos. Por outro lado, devido à "necessidade de um certo tempo de preparação, composição e impressão, pode chegar frequentemente tarde às mãos dos leitores e só servir para ilustrar aquilo que a gente já sabe" (Peretti, 1998: 486 ), referindo o mesmo autor que ao ser "concebido e realizado ao nível dos serviços centrais, corre o risco de se desligar das realidades do terreno".
            Os inquéritos poderão ser usados para fazer diagnósticos e análises de problemas da organização; "efectuados na e a propósito da empresa, […] são um instrumento e um processo de gestão" (Peretti, 1998: 494), servem para conhecer o clima social da comunidade, avaliar e analisar as expectativas e as motivações do pessoal, assim como avaliar a eficácia de programas de informação e comunicação. Podem ser dirigidos, conforme as necessidades, a todo o pessoal ou a grupos específicos. Apresentam desvantagens relacionadas com a necessidade de serem elaborados por especialistas (que podem não existir na organização) se pretendermos ter instrumentos fiáveis, exigirem tempo para a sua elaboração, distribuição, resposta e análise dos resultados. Não nos podemos esquecer que, depois de feita essa análise dos dados, deverá ser dado um feedback às pessoas que foram inquiridas, de forma a que no próximo inquérito não o considerem desnecessário, sem interesse e portanto, se recusem a responder.
            Uma forma da direcção conhecer as preocupações da comunidade e de poder comunicar directamente com os interessados é possibilitar a formulação de "questões à direcção". Este tipo de meio de comunicação permite, assim, aos membros da organização, colocarem as dúvidas directamente ao topo da hierarquia, suscitando o interesse pela procura da informação. O abuso deste tipo de comunicação pode levar ao desinteresse e à perda do impacto desejado. Deve-se ter em conta, também,  que é necessário que as respostas sejam credíveis e rápidas, devendo haver respeito pelo anonimato.
            A caixa de sugestões é usada em muitas empresas, sobretudo para permitir ao público expressar-se e sugerir melhorias. Também apresenta vantagens, como seja a de motivar o pessoal chamando-o à responsabilidade e, por outro lado, pode ser usada pela direcção como um meio de comunicação ascendente. Para ter um real interesse é necessário que a análise das sugestões seja feita rapidamente e se dê resposta a quem as fez.
            O conhecimento da organização passa também por saber como ela é vista a partir do exterior sendo esta visão compartida com toda a comunidade. A recolha de artigos da imprensa pode proporcionar este objectivo, devendo, depois de recolhidos, ser tratados e apresentados à comunidade.

            Hoje em dia as organizações já não conseguem viver sem o fax e o correio electrónico. Quando a organização é grande e descentrada, estes utensílios tornam-se indispensáveis pelas qualidades evidentes: são meios extraordinariamente rápidos e permitem respostas quase imediatas a custos reduzidos, mesmo quando a organização se distribui por uma grande área. No entanto só permitem a comunicação em cascata, já que nem toda a comunidade tem acesso a estes meios, sofrendo também de possíveis problemas de descodificação. No caso do correio electrónico, Cunha (2003: 396-397) refere alguns problemas, como seja o aumento de mensagens triviais que, segundo o mesmo autor, levam ao "lixo comunicacional" para além de poderem "afastar as pessoas do seu trabalho normal, e conduzir ao seu uso para fins não organizacionais". O mail ainda apresenta problemas relativos ao respeito pela privacidade, já que as mensagens "podem ser "espreitadas" sempre que alguém acede ao computador ou à senha de outrem".

Tabela : Meios de comunicação escritos .

Tabela elaborada a partir de Gondrand (1983), Ferreira (2001), Cunha (2003) e Peretti (1998). 



Extrato de :
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
Autor : Henrique Manuel Salgado Almeida
Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de mestre em Ciências da Educação
 - Especialização em  ­­­­­­­­­­­­Administração e Organização Escolar -
2005

Sem comentários: