Quando falamos em comunicação estamos a envolver mais do que uma pessoa e,
muitas vezes, mais do que um grupo. Entre as pessoas ou entre os grupos
estabelecem-se estruturas que permitem a comunicação, que correspondem a
arranjos dos canais, já que "numa organização é impossível que cada
indivíduo ou cada unidade de trabalho possa comunicar com todos os outros"
(Petit, 1998: 54). Segundo o mesmo autor, isto acontece essencialmente pela
limitação dos suportes de comunicação, pela limitação das possibilidades
cognitivas e operatórias do indivíduo e pelo imperativo organizacional, segundo
o qual as informações pertinentes devem passar pelos centros de decisão. Ora, quando
pretendemos melhorar a comunicação numa organização, segundo Gondrand (1983:70),
“ont doit, logiquement, commencer par une analyse du foncionement des réseaux
de comunication”, e para o mesmo autor, devemos comparar o que se passa na realidade
com o que a direcção pretenderia. A forma como a informação circula e o tipo de
estrutura escolhida podem relacionar-se positivamente ou negativamente com a
eficácia da comunicação. Ferreira (2001) aponta quatro tipos de redes de comunicação,
como sendo os principais: o círculo, a roda, a cadeia e o todos-com-todos,
enquanto que Teixeira (1998) aponta ainda a rede em Y.
No quadro que se segue apresentam-se os vários tipos de redes de
comunicação bem como a sua descrição e, comparativamente, algumas características.
Tabela: Características das
redes de comunicação. (Adaptado
a partir de Teixeira, 1998).
Descrição
|
Veloci-dade
|
Rigor
|
Satisfação
dos membros
|
Emer-gência de liderança
|
Centra-lização
|
|
Em roda.
|
Os
membros do grupo comunicam apenas e sempre através de um único membro, o qual
ocupa portanto uma posição central.
|
Elevada
|
Bom
|
Reduzida
|
Sim
|
Sim
|
Em Y.
|
A
comunicação percorre, nos dois sentidos, os diversos níveis da hierarquia sem
possibilidades de comunicação horizontal.
|
Lenta
|
Razo-ável
|
Reduzida
|
Sim
|
Sim
|
Em cadeia.
|
Apenas
permite a cada membro comunicar com o que o antecede ou precede.
|
Lenta
|
Razo-ável
|
Reduzida
|
Sim
|
Mode-rada
|
Em círculo.
|
É
uma cadeia em que o último membro comunica com o primeiro fechando-se o círculo.
|
Média
|
Bom
|
Elevada
|
Não
|
Não
|
Em interli-gação total.
|
Todo
e qualquer membro do grupo pode comunicar com qualquer outro membro do mesmo
grupo.
|
Lenta
|
Redu-zido
|
Elevada
|
Não
|
Não
|
Analisando cada tipo de rede podemos concluir que no caso da roda, onde a
informação passa sempre por um elemento que a redistribui, a comunicação ocorre
“com um elevado grau de rapidez e rigor” (Teixeira, 1998: 165) mas “o nível de
satisfação que desenvolve nos membros do grupo é reduzido” (idem: 165). Neste
tipo de rede é clara a importância do elemento que redistribui a informação e é
característica de sistemas com “estruturas centralizadas em que a liderança se
caracteriza por um elevado grau de autocracia” (Teixeira, 1998:). A rede em Y
tem problemas relacionados com a comunicação horizontal e é uma rede muito
hierarquizada. No caso da rede de comunicação em cadeia cada elemento só pode
comunicar com o que o antecede ou precede. É um tipo de rede que se caracteriza
pela lentidão e pela emergência da liderança. Se este tipo de rede se fechar
temos uma rede em círculo, neste caso é melhorada a velocidade, o rigor e a
satisfação (Teixeira, 1998) no entanto pode, durante a circulação da mensagem,
ocorrer alteração da mesma derivada de "factores psicológicos, tais como:
a recepção viciada, o esquecimento parcial, a própria interpretação da mensagem
ou a sua distorção, em função daquilo que se desejaria que fosse o conteúdo
efectivo" (Rosa, 1994: 171). O último tipo de rede a que se refere
Teixeira (1998: 165-166) é “em interligação total”. Nesta situação todos os
elementos comunicam com todos, o que leva a uma diminuição da velocidade e
rigor, assim como à não existência de liderança e centralização. Apesar destas
características, a satisfação é elevada. Já Rosa (1994) refere que, quando a
interligação total ocorre entre elementos altamente qualificados, consegue-se a
máxima eficiência.
Numa organização, ou num grupo, podem coexistir mais do que um tipo de
rede podendo assim beneficiar das características que cada uma delas apresenta.
Ferreira (2001: 367) faz também uma apreciação à eficiência de cada uma
destas redes, referindo que há estudos que revelam “que em tarefas simples, as configurações
mais centralizadas, como a roda e a cadeia, aumentam a eficiência do grupo”, no
que se refere às tarefas complexas, “as configurações mais descentralizadas,
como o círculo e todos-com-todos [correspondente à interligação total de
Teixeira] conduziam a soluções de maior qualidade”. O mesmo autor assinala o
treino como factor determinante para as diferenças já que, segundo ele, “ao fim
de algum tempo de treino, nenhuma das redes de comunicação se revela claramente
superior às outras na influência do grupo” e aponta como factores mais
decisivos do desempenho do mesmo, o tamanho e o tipo de tarefa. Já Leavitt
(1951) verificou que a roda é mais eficiente para o cumprimento da tarefa. Segundo
Katz (1987:260) trabalhos posteriores de Guetskow e Simon relacionaram essa
eficiência com o tempo de aprendizagem, isto é, tal como já referimos, o factor
determinante pode ser o treino. O mesmo autor refere que Guetzkow e Dill, das
experiências que fizeram, concluíram que os grupos pareciam preferir sistemas
com um mínimo de ligações e dentro dos grupos eram geradas pressões para que
ocorresse a redução do número dessas ligações. Os grupos conseguiam mais
eficiência no cumprimento da tarefa quando o sistema de comunicação era
simplificado, no que diz respeito ao número de ligações, a " rapidez e a
qualidade de execução, como o moral dos indivíduos, ganham sempre que os
centros de decisões se aproximam das fontes de informação" (Petit, 1998: 57).
Para Gondrand (1983 : 70) também é
“évident […] qu’un nombre excessif de relais multiplie les risques d’une
information tronquée, altérée ou modifiée, en fonction des filtres, auxquels
sont soumis les messages, tant de la part de l'émetteur que du récepteur, des
inconvénients dus au codage et ou décodage des messages, des bruits qui
altèrent la ligne de communication" . Por
outro lado devemos atender ao que Katz (1987:258) chama “laço”, que é “a
quantidade de espaço organizacional coberto por determinada informação”. Se o
laço for muito grande, ele poderá envolver pessoas irrelevantes e, se for
demasiado pequeno, pode omitir informantes capitais (idem). O laço, no primeiro
caso, leva a uma sobre-informação, já que o laço envolve “todos os níveis da
organização no lado da transmissão” e, por outro lado, “envolve apenas os dois
escalões mais altos no lado do recebimento” (Katz, 1987: 261).
Extrato de :
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
Autor : Henrique Manuel Salgado Almeida
Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Administração e Organização Escolar -
2005
2005
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