sábado, 30 de novembro de 2013

Elementos chave do processo de comunicação

         Para que ocorra comunicação são necessários um emissor e um receptor, para além de um canal por onde circule uma mensagem.
O emissor é a pessoa que emite a mensagem, podendo não ser o mesmo que "fonte" que “é a origem da comunicação , o que possui as ideias, intenções e necessidade de comunicar” (Fachada, 2000 : 23). O emissor pretende “ dar uma informação ou modificar um comportamento e as atitudes da pessoa a quem dirige a mensagem” (Ferreira: 2001). Para conseguir esse objectivo o emissor terá que codificar a intenção, originando uma mensagem. Nas organizações "os emissores podem ser os gestores, os não gestores, os departamentos ou a própria organização" (Donnely, 2000: 376).
A codificação é o processo através do qual o emissor traduz as suas ideias, de forma sistemática, num conjunto de símbolos que exprimem a sua intenção, sendo a sua função "atribuir uma forma, através da qual as ideias e intenções possam ser expressas como uma mensagem" (Donnely, 2000: 377). A codificação recorre a um código que é um sistema de regras que confere a determinados sinais um valor (Eco, 1972); é uma característica comum aos indivíduos, grupos e organizações (Katz, 1987: 249), sendo necessário que, para que o receptor compreenda o sinal, domine o código, já que extrai o sentido a atribuir à mensagem do código e não da própria mensagem. Qualquer emissor tem um “processo característico de codificação, um conjunto limitado de categorias de codificação” que “impõem omissão, selecção, refinamento, elaboração, distorção, e transformação” (Katz, 1987: 249), quer para a informação transmitida quer para a recebida. Segundo Hyman-Sheatsley (in. Wolf, 2003 : 36) " a natureza e a grande exposição do público ao material informativo são em grande parte determinados por características psicológicas da própria audiência" e Wolf refere que tal reflecte o interesse em obter a informação, a exposição selectiva provocada pelas atitudes já existentes, a interpretação selectiva e a memorização selectiva. O que à partida parece só se aplicar ao indivíduo, tem aplicação nas organizações que ao possuírem os seus próprios sistemas de codificação, “determinam a quantidade e tipo de informação que recebem do mundo externo e sua transformação em conformidade com as suas propriedades decorrentes do sistema” (Katz, 1987: 250). Assim sendo, o membro de uma dada organização tem uma visão diferente de outro qualquer sujeito que não pertença à organização, e por isso, possui um conjunto de normas e valores diferentes por não estar integrado na sub cultura daquela organização. O emissor deverá esclarecer convenientemente a sua mensagem, codificá-la da forma mais clara possível, ter em consideração a pessoa ou a audiência a quem se vai dirigir, assim como o local onde vai ser feita a comunicação, pensar no meio que vai utilizar e não se esquecer de ter em consideração o ambiente mais propício para a realizar (Bothwell, 1991) e porque não pensar em que, tal como refere Breton (1992:31), pode ser perturbada pela Natureza ou pelas "tarefas de homens obstinados em mudar a força do seu significado".
A mensagem resulta da codificação, é "o que a pessoa espera comunicar" e "para que seja eficaz, deve conter todos os factos que os emissores considerem necessários para alcançar o efeito desejado" (Donnely , 2000 : 377).
A mensagem pode ser “verbal, escrita e não verbal” (Ferreira, 2001: 358). Para que a mensagem chegue ao receptor é necessário um canal que segundo Fiske (2002: 34) é o “meio físico pelo qual o sinal é transmitido”, ou segundo Fachada (2000: 23) “é o suporte que serve de veículo a uma mensagem” e para Teixeira (1998: 159) “o canal de transmissão é (…) o meio através do qual as comunicações são transmitidas entre as pessoas”. Surgem, como exemplos de canais, as ondas de luz e de rádio, os cabos telefónicos, o ar, a voz, a rede de televisão, o fax, o correio. A escolha de um deles é muito importante “porque diferentes pessoas podem ter diferentes competências na utilização de diferentes canais e diferentes mensagens têm adequações distintas a diferentes canais” (Ferreira, 2001: 359).
Os canais de comunicação podem dividir-se em formais e informais. Os primeiros “correspondem às linhas da hierarquia da organização formal” (Teixeira, 1998: 161), enquanto que os segundos transmitem informações entre os indivíduos da organização que se situam no mesmo nível hierárquico. Por vezes o canal pode ser uma fonte de perturbação da mensagem e ser responsável por alterações, deturpações, erros, a que Wolf (2003:114-115) se refere como problema do ruído, que pode ser devido a uma informação parasitária ou uma perda de sinal.
A mensagem chega ao receptor ou receptores, aquele ou aqueles que recebem a informação que lhes é transmitida. O receptor tem que descodificar a mensagem e promover o feedback, para que o emissor tome consciência do resultado final do processo. No processo de descodificação estão uma vez mais envolvidos os factores atrás descritos para a codificação, que podem ser responsáveis por perturbações na mensagem, daí que o feedback seja de extraordinária importância. Por sua vez após a captação da mensagem, o material atribuído a uma fonte credível provoca uma mudança de opinião significativamente maior do que o atribuído a uma fonte pouco credível (Wolf, 2003).

Em todo o processo de comunicação podem surgir ruídos, entendendo ruído como "qualquer factor de interferência que, quando presente, pode distorcer a mensagem pretendida" (Donnely, 2000: 379).
Extrato de :
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
Autor : Henrique Manuel Salgado Aleida
Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de mestre em Ciências da Educação
 - Especialização em  ­­­­­­­­­­­­Administração e Organização Escolar -
2005

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