Para que ocorra comunicação são necessários um emissor
e um receptor, para além de um canal por onde circule uma mensagem.
O emissor é a pessoa que emite a mensagem, podendo não
ser o mesmo que "fonte" que “é a origem da comunicação , o que possui
as ideias, intenções e necessidade de comunicar” (Fachada, 2000 : 23). O
emissor pretende “ dar uma informação ou modificar um comportamento e as
atitudes da pessoa a quem dirige a mensagem” (Ferreira: 2001). Para conseguir
esse objectivo o emissor terá que codificar a intenção, originando uma
mensagem. Nas organizações "os emissores podem ser os gestores, os não
gestores, os departamentos ou a própria organização" (Donnely, 2000: 376).
A codificação é o processo através do qual o emissor
traduz as suas ideias, de forma sistemática, num conjunto de símbolos que
exprimem a sua intenção, sendo a sua função "atribuir uma forma, através
da qual as ideias e intenções possam ser expressas como uma mensagem" (Donnely,
2000: 377). A codificação recorre a um código que é um sistema de regras que
confere a determinados sinais um valor (Eco, 1972); é uma característica comum
aos indivíduos, grupos e organizações (Katz, 1987: 249), sendo necessário que,
para que o receptor compreenda o sinal, domine o código, já que extrai o sentido
a atribuir à mensagem do código e não da própria mensagem. Qualquer emissor tem
um “processo característico de codificação, um conjunto limitado de categorias
de codificação” que “impõem omissão, selecção, refinamento, elaboração,
distorção, e transformação” (Katz, 1987: 249), quer para a informação
transmitida quer para a recebida. Segundo Hyman-Sheatsley (in. Wolf, 2003 : 36)
" a natureza e a grande exposição do público ao material informativo são
em grande parte determinados por características psicológicas da própria
audiência" e Wolf refere que tal reflecte o interesse em obter a
informação, a exposição selectiva provocada pelas atitudes já existentes, a
interpretação selectiva e a memorização selectiva. O que à partida parece só se
aplicar ao indivíduo, tem aplicação nas organizações que ao possuírem os seus
próprios sistemas de codificação, “determinam a quantidade e tipo de informação
que recebem do mundo externo e sua transformação em conformidade com as suas
propriedades decorrentes do sistema” (Katz, 1987: 250). Assim sendo, o membro
de uma dada organização tem uma visão diferente de outro qualquer sujeito que
não pertença à organização, e por isso, possui um conjunto de normas e valores
diferentes por não estar integrado na sub cultura daquela organização. O
emissor deverá esclarecer convenientemente a sua mensagem, codificá-la da forma
mais clara possível, ter em consideração a pessoa ou a audiência a quem se vai
dirigir, assim como o local onde vai ser feita a comunicação, pensar no meio
que vai utilizar e não se esquecer de ter em consideração o ambiente mais
propício para a realizar (Bothwell, 1991) e porque não pensar em que, tal como
refere Breton (1992:31), pode ser perturbada pela Natureza ou pelas
"tarefas de homens obstinados em mudar a força do seu significado".
A mensagem resulta da codificação, é "o que a
pessoa espera comunicar" e "para que seja eficaz, deve conter todos
os factos que os emissores considerem necessários para alcançar o efeito
desejado" (Donnely , 2000 : 377).
A mensagem pode ser “verbal, escrita e não verbal”
(Ferreira, 2001: 358). Para que a mensagem chegue ao receptor é necessário um canal
que segundo Fiske (2002: 34) é o “meio físico pelo qual o sinal é transmitido”,
ou segundo Fachada (2000: 23) “é o suporte que serve de veículo a uma mensagem”
e para Teixeira (1998: 159) “o canal de transmissão é (…) o meio através do
qual as comunicações são transmitidas entre as pessoas”. Surgem, como exemplos
de canais, as ondas de luz e de rádio, os cabos telefónicos, o ar, a voz, a
rede de televisão, o fax, o correio. A escolha de um deles é muito importante
“porque diferentes pessoas podem ter diferentes competências na utilização de diferentes
canais e diferentes mensagens têm adequações distintas a diferentes canais”
(Ferreira, 2001: 359).
Os canais de comunicação podem dividir-se em formais e
informais. Os primeiros “correspondem às linhas da hierarquia da organização
formal” (Teixeira, 1998: 161), enquanto que os segundos transmitem informações
entre os indivíduos da organização que se situam no mesmo nível hierárquico. Por
vezes o canal pode ser uma fonte de perturbação da mensagem e ser responsável
por alterações, deturpações, erros, a que Wolf (2003:114-115) se refere como
problema do ruído, que pode ser devido a uma informação parasitária ou uma
perda de sinal.
A mensagem chega ao receptor ou receptores, aquele ou
aqueles que recebem a informação que lhes é transmitida. O receptor tem que
descodificar a mensagem e promover o feedback,
para que o emissor tome consciência do resultado final do processo. No processo
de descodificação estão uma vez mais envolvidos os factores atrás descritos
para a codificação, que podem ser responsáveis por perturbações na mensagem,
daí que o feedback seja de
extraordinária importância. Por sua vez após a captação da mensagem, o material
atribuído a uma fonte credível provoca uma mudança de opinião
significativamente maior do que o atribuído a uma fonte pouco credível (Wolf,
2003).
Em todo o processo de comunicação podem surgir ruídos,
entendendo ruído como "qualquer factor de interferência que, quando
presente, pode distorcer a mensagem pretendida" (Donnely, 2000: 379).
Extrato de :
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
A COMUNICAÇÃO DOCENTE NOS AGRUPAMENTOS DE VILA NOVA DE GAIA
Autor : Henrique Manuel Salgado Aleida
Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Administração e Organização Escolar -
2005
2005
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